Escassez de produção de azeite na Europa resulta em aumento de preços e impacto no mercado brasileiro

O mercado global de azeite está enfrentando desafios por conta das mudanças climáticas na Europa, que têm afetado a produção e causado escassez e aumento significativo dos preços. Em Portugal, por exemplo, as queimadas devastadoras ocasionadas pelas secas e pelo calor intenso estão prejudicando o cultivo de azeitonas, matéria-prima do produto.

Estoque

Segundo dados da Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados que desenvolve soluções para a gestão da cadeia de consumo, o estoque médio da mercadoria em setembro no país foi o mais baixo dos últimos 12 meses (redução de 36% em relação ao mesmo mês em 2022) e segue em queda desde maio deste ano. Já a ruptura – que é a falta de determinadas marcas da categoria nas gôndolas dos supermercados – ficou em 13,9%.

Preço

Com a menor oferta, os custos sobem, impactando até mesmo países importadores, como o Brasil. De acordo com a Horus, marca do ecossistema Neogrid, o preço do azeite vem atingindo patamares históricos em 2023 e apresentando valor médio de R$ 34,64 por embalagem e R$ 78,41 por litro em setembro. Foram os maiores preços registrados desde 2021.

“O que acontece no Brasil é que o varejo fica receoso, entendendo que se pagar um preço bastante alto vai ter dificuldade de vender. Além disso, o giro para o setor é um negócio muito importante. Por isso, vemos o estoque dos supermercados caindo e a falta do produto nas gôndolas começando a crescer”, explica Robson Munhoz, diretor de Customer Success da Neogrid.

Diante desse cenário, a indústria brasileira de azeite da região sul do país vem sendo acionada para suprir a demanda nacional e internacional. Contudo, sua produção ainda é limitada, ficando aquém da europeia em termos de volume. Enquanto o varejo procura alternativas para conseguir comprar e disponibilizar o produto com custo acessível, o consumidor, especialmente aquele com menor poder aquisitivo, busca outras opções para seguir preparando suas refeições.

“Em contrapartida à azeitona, a produção de soja está bem aquecida. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê novo recorde na produção de soja na safra 2023/2024. Com isso, torna esse tipo de óleo um substituto economicamente viável para o azeite. Sabemos que os dois produtos são muito diferentes na composição, mas, em muitos casos, têm a mesma função na cozinha”, afirma Munhoz.

Fonte: assessoria de imprensa