Aditivos nocivos à saúde: os vilões escondidos nos ultraprocessados
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Comer é muito bom. São sabores, texturas e aroma que despertam nosso interesse por determinados alimentos. Mas não basta só desejar comer, precisamos saber o que estamos ingerindo. Afinal, uma alimentação saudável é fator primordial para manter o bem-estar. 
Um estudo recente publicado no eClinicalMedicine, aponta os resulltados da análise dos pesquisadores na Alemanha que avaliaram os MUPs, marcadores específicos para identificar o grau de processamento dos produtos ultraprocessados, e o impacto na saúde.
A pesquisa concluiu que determinados tipos de açúcar, adoçantes e aditivos alimentares como corantes e aromatizantes estão associados a um risco maior de mortalidade. Os resultados da pesquisa indicam que o consumo destes aditivos pode contribuir para aumento de peso, problemas metabólicos e alterações na microbiota intestinal.
Além disso, algumas pesquisas relatam que a ingestão dos alimentos ultraprocessados aumenta o risco de obesidade, além de estar associado a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e câncer.  

Prazer imediato, risco real

Embora o consumo de alimentos ultraprocessados e hiperpalatáveis, aqueles que trazem gordura, sódio, açúcar e carboidratos para torná-los mais saborosos, possam promover um prazer imediato, eles, na verdade, estão relacionados também à depressão e sofrimento psicológico, segundo estudo publicado no Journal of Affective Disorders.

O estudo descobriu que esses alimentos também trazem maior densidade calórica. Além de descontrolar a dieta, uma vez que podem desencadear adaptações neurobiológicas e levar a um comportamento cada vez mais compulsivo, também estão associados a quadros de tristeza, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Neste estudo, um total de 13.876 mulheres e 9.423 homens foram incluídos na análise final. Indivíduos que consumiam a maior quantidade de alimentos ultraprocessados eram mais propensos a morar sozinhos. Esses indivíduos também eram menos propensos a relatar educação superior, ser casados ou em relacionamento de fato. Também eram menos propensos a se envolver em altos níveis de atividade física, diz a médica.
“Os indivíduos que se enquadravam no grupo que tinham o consumo mais alto de alimentos ultraprocessados ajustados para energia tiveram uma probabilidade 1,14 vez maior de apresentar sofrimento psicológico elevado em comparação com aqueles que consumiam menos”, explica a médica nutróloga.

Rótulos

Para saber o que consumimos, é importante ler os rótulos dos alimentos ultraprocessados. Assim, de acordo com o Ministério da Saúde, a rotulagem nutricional é uma ferramenta importante  e que permite à população escolher os alimentos mais saudáveis.
De acordo com  Camila Chagas, nutricionista e consultora técnica da Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição da pasta (Cgan), ingredientes que aparecem primeiro na lista estão presentes em maior quantidade no produto. Então, mesmo que o alimento não apresente a lupa de advertência, deve-se observar a lista de ingredientes para conhecimento da composição do produto.

Lembre-se: faça do alimento que você consome seu aliado e não uma arma contra sua saúde.